PERDAS IRREPARÁVEIS
 
     Desde cêdo aprendemos sobre o ciclo de vida, suas fases, as gerações.
     A dura realidade de lidar com essa verdade é que se torna incompreensível.
     A notícia que recebi no ultimo sábado 25 DE MARÇO as 5hs da tarde me abalou completamente fazendo com que, inconformado, procurasse resolver o improvável, conseguir uma passagem aérea na madrugada do domingo para o Rio.
     Para o meu menor sofrimento, foi possível. Cheguei as 9:40 no Rio onde Edmilson (filho de dona Esmeralda) me aguardava. Partimos em meio a chuva para a triste despedida daquela que por muitos anos nos deu muitas alegrias, com seu jeito meigo, sua voz suave, seu jeito ativo de ser. Magrinha, baixinha mas muito viva.
     Sua partida motivada pelas perdas irreparáveis de sua irmã, Gracinha a qual tinha muita afinidade e de Seu Pedro, companheiro que por vários anos a acompanhou.
     A partida rápida e sem muito sofrimento solicitada por ela nas ultimas semanas, para a tristeza inconsolável nossa, aconteceu.
     Apesar dos apelos de todos para que se conformasse com aquelas perdas, não conseguiu consolar seu coração. Sintomas estranhos foram surgindo, certamente derivadas da imensa depressão culminaram na rápida e inexplicavel partida.
     Na manhã do sábado, 25, no hospital, mandava os filhos para casa pois tinha preparado galinha e feijão verde, estava bem. Na volta do almoço, cerca de 15hs se depara com a notícia de seu falecimento, tinha tido, segundo dizem,  3 paradas cardíacas e não resistiu. A atual conjuntura da saúde pública e privada e situações suspeitas como essa nos deixa indignados com o descaso que assolou nossa família. Ainda não se tem certeza do que aconteceu na ausência da família naquelas poucas horas.
     Para nós que ficamos, fica a imensa tristeza pela perda das duas mães e avós em pouco menos de 4 meses. Fecha-se um cliclo de uma geração e inicia-se outro, dessa vez somos nós os responsáveis de perpetuar a grandiosidade daqueles corações que iluminavam as duas partes da familia, a do Rio e a de Natal. É uma difícil tarefa já que são insubstituíveis.
      Agora, de volta a Natal, tento me conformar. Não ouvirei mais sua voz dizendo no telefone  "Oi meu filho… que bom ouvir sua voz… quando é que vem por aqui?…".
      Tia Esmeralda era mais que uma parente, era uma mestra que apoiava incodicionalmente os que dela precisavam, seu carinho e atenção se estendia até aqueles que não eram corteses. Assim como sua irmã, Gracinha, tinha um sorriso aberto e disponibilidade independente da situação em que se encontrava, livre da ambição, da inveja, ficava realmente feliz quando via alguém progredir. Foram 80 anos de vida, 80 anos que este mundo era mais humano, agora descansa num local chamado Parque da Paz, próximo de sua neta e de Seu Pedro, de seu filho Edson e lá próximo de Deus com certeza estão todos em uma grande confraternização assim como faziamos aqui neste mundo.

      SAUDADES