Qual o custo de produção de vídeo?

Tenho observado uma quantidade significativa de internautas que chegam até este blog em busca desta resposta. Por isto retomo este artigo 9 anos após publicação (7 de Abril de 2008) e faço uma releitura mantendo o que era dito naquele tempo.

     Vamos partir de um fato, vídeo é arte. Arte é algo que não possui semelhantes, o artista é aquele que imprime a arte. O artífice é aquele que faz o que todo mundo faria igual. Resumindo, é muito diferente de comprar um produto de mesma marca e mesmo modêlo. Nesse caso vale o ditado “Mesma coisa é um caminhão de japonês”.
 
     Quanto custa isso??. A resposta vem com outra pergunta, isso o que?.
 
     Alguns valores podem ser mensuráveis partindo de informações técnicas e valores de mercado. Mas aí vem outras variantes, o mercado áudiovisual é, atualmente, muito extenso. Parte daquele que se oferece com uma VHS-C ou V8, ou ainda, máquina fotográfica que “filma” sem acessórios, até os que possuem câmeras HD com lentes especiais, tripés, luzes…. Há tb os que tem equipamento mas não tem formação ou experiência.
 
      Como podem ver no que era dito há quase 10 anos atrás, o que mudaram foram as tecnologias e os resultados obtidos por elas, porém com a mão de quem realiza. Prova disso foi a revolução das DSLRs que passaram a gravar videos, apesar de limitações, tiveram grandes incrementos e até ganharam destaque tecnológico para este fim. Não é difícil ver belos documentários e até comerciais de TV feito com elas, sempre lembrando que em vários casos a lente usada é bem mais cara que a câmera.
      Junto com as mudanças nos últimos anos foram adotadas novas formas de captar imagens assim como as técnicas e formatos artísticos como aplicação do timelapse e agora mais recentemente do Hyperlapse que são verdadeiros exercícios de paciência e determinação.
     Entre as novas formas de captar não poderia estar de fora os drones que tem diferentes tipos de câmeras e lentes a bordo, com uso dos estabilizadores eletrônicos (gimbal) que mantém desde câmeras esportivas até câmeras de cinema, bem mais pesadas. O registro de fotos e videos em 360º, o uso do led para iluminação em video e cinema.
     No quesito resolução, o salto foi gigantesco de 10 anos pra cá. Passamos a transição do analógico Betacam equivalente a no máximo 500 linhas para o SD 720×480, 1280×720, o HDV 1440×1080 e chegamos ao FullHD 1920×1080 que demorou bastante a ser FullHD real, isso porque muitas câmeras tinham sensores que não usavam a totalidade de pixels embora os arquivos gravados tivessem. O 4K que dava seus primeiros sinais há 9 anos atrás só nos últimos 2 anos vem se popularizando e enfrentando a mesma questão dita neste artigo em 2008. Há câmeras 4K que decepcionam até diante de câmeras FullHD, devido a uma série de fatores como lentes e sensores, essa variante não mudou.
      Diante desse montante de novidades, mantenho a frase abaixo:
     Será notório as diferenças no resultado final do trabalho realizado em cada mercado.
 
Exemplos (vídeos no Youtube):
 
Orçamento (exemplo muito simples):
 
SD X HD

     Durante minhas consultorias, faço uma abordagem das metas e objetivos do cliente com aquela produção, sua capacidade financeira e lucratividade com o material. Daí já pode-se chegar a denominadores comuns. Pode-se adotar o uso de tecnologias de baixo, médio-baixo, médio-alto e alto custo. Não vou nem me estender nos detalhes de produção (criação, roteiro, direção, texto, locações, dir. de fotografia, pós-produção, animação 2D, 3D…) que também altera e muito o resultado final.

     É comum todo mundo estar hoje confirmando que oferece serviços de vídeo em alta definição. O cliente menos atento pode achar escandaloso a diferença de custo entre uma produtora profissional e um iniciante (menos de 10 anos no mercado) sem saber que pode se tratar de níveis de qualidade técnica e tecnológica diferenciadas também. Basta dizer que existem câmeras que se dizem HD com até menos de mil dólares (FOB), sendo que as câmeras profissionais começam em 7 mil dolares. Um tripé doméstico pode custar algo em torno de 150,00 reais, e profissionais a partir de 10 vezes isso.

    Quando um paradigma muda, todo mundo começa do 0. O mundo da alta definição no Brasil, de forma mais popular, começou em 2006 com o lançamento da tecnologia HDV em 2005 nos EUA. A maioria dos profissionais no Brasil só veio ter acesso a alguns modelos a menos de 2 anos. Portanto engana-se quem acha que HD é só ter um tipo que já está de igual para igual com todos. Muita gente acha que HD é imagem com tarjas pretas. Esse processo de reaprender com a captação e todo workflow, ou seja, da criação do roteiro até a finalização é hoje algo ainda mais vasto que anos atrás onde em boa parte o destino da imagem era o DVD ou o Blu-Ray. Agora além de lidar com uma variedade de formas artísticas de criar, há ainda questões ligadas aonde será postado e onde será tocado, se num celular de 5 polegadas ou em um TV de 60 polegadas UHD 4K.

     Me deparo constantemente com solicitações de grandes empresas que não vão a lugar nenhum, até porque se ela não sabe pedir, a licitação é ganha por qualquer mercado, do amador ao semi-profissional, onde o que vale é o prêço final e nada mais. Em muitos casos o perfil do trabalho exige o cuidado e perícia de um profissional adequado, especializado, caso das audiências públicas. No entanto não faz sentido gravar mais de 10hs em Betacam (tipo de fita de camera profissional) se não há propósito de uso em publicidade ou documentário de TV. O resultado é um orçamento recusado pelo alto custo relativo.

      Aqui abro um parêntese para o amigo Erick que postou uma resposta importante. Sobre Betacam, de fato a escolha dela está em algumas características, mesmo sendo analógica e SD, entre elas a objetiva que é padrão ser de alta definição (qualidade dos vidros nas lentes), o próprio sensor CCD (chip que recebe a imagem das lentes) e por ultimo o formato de gravação que é livre de limites do digital. Como foi dito, apenas no caso de longas horas de gravação é de se avaliar o uso de DVcam ou mesmo MiniDV pelo custo de hora/midia, pode custar ~8 vezes mais.

     Não há segredo, dentro de cada mercado existem variações de valores resultado de concorrência natural, mas de mercado a mercado as diferenças ficam bem visíveis. Não quero dizer “o barato sai caro”, quero dizer que metas e ideias baratas podem ser feitas dentro do mercado barato, dispensando qualidade criteriosa, e assim, cada degrau de importância sucessivamente acima. Fazer um documentário com fins escolares é totalmente inviável numa produtora profissional e nenhum professor vai cobrar isso. Então vale erro de enquadramento, resolução baixa, som ruim, imagem sem definição, sem iluminação etc, numa câmera doméstica, produzido por quem acabou de aprender onde liga a máquina, evidentemente o resultado…

    Existem muitas etapas, cada etapa pode ou não ter sub-divisões de trabalho que interferem diretamente nas horas de trabalho. Captação (filmagem), edição…

     Mas você leu até aqui querendo ver valores em reais, quanto custa afinal?. Para captação (sem edição), os amadores partem de valores em torno de 150,00 para gravar um turno (tarde/noite). Os semi-profissionais giram em torno de 400,00. Os profissionais já variam de acordo com o tipo de produção, mas podem partir de 600,00 a 1800,00 em média por dia. Em todos esses casos depende de algumas variantes como número de câmeras, gravação de depoimentos, captação com áudio de mesa, iluminação, acessórios, assistentes, estúdio e tal que podem subir os valores naturalmente.

TABELA DE PISO SALARIAL PARA PROFISSIONAIS EM VÍDEOS PUBLICITÁRIOS – 2011 2017:

     Os custos de edição também variam relativamente a tecnologia utilizada, SD, HD, UHD, aéreas, 360º e suas variantes, número de horas gravadas, tempo final do vídeo. Em tese, usa-se uma regrinha básica, que para documentários simples (imagens e edição simples), cada minuto editado custa 1h/ilha. Se um video vai ter 10min, pressupõe-se que serão necessários 10hs pra editar. Mas no caso de comerciais mais produzidos, pode-se passar até mais de 40hs pra editar os 30seg, isso porque o diretor e o editor pensam o video com 900 frames (quadros) e não 0,5min. 

     Chamar uma produtora de aniversários infantis para produzir um documentário é como chamar um clínico geral pra dor de dente e vice-versa.

      Lembre que seu video seja publicitário, documentário, empresarial, institucional, instrucional etc. estará por muitos e muitos anos rodando.

.        As empresas que apostam certo tem gratas surpresas quando  estão em mídias com certo grau de interatividade como o Youtube onde ele será avaliado duramente. Leia sobre Menções Honrosas neste blog:

https://italovalerio.wordpress.com/2011/09/03/mencoes-honrosas-youtube/

 

         A página de Menções Honrosas deixou de existir por volta de 2012, certamente porque o volume de videos ficou tão intenso que não faria sentido uma marca que muda em segundos. Atualmente o Youtube mantém uma página inicial com “Em Alta” que apenas monitora número de visualizações.

       O assunto é de fato extenso, precisaria de um curso de comunicação, produção áudiovisual, cinema, tecnologias… mas para orientar você, cliente, planeje o que deseja, tenha foco, veja qual o universo que deseja alcançar, que classe social quer chamar, questione a produtora pelo que oferece, peça explicações, quais soluções apresenta, assista making ofs (procure por AVESSO), veja que pra fazer direito dá mais trabalho do que se pensa.

      Por fim, se não há como seguir todo esse processo por questão financeira ou de oportunidade, registre, registre seu momento profissional e até mesmo o familiar, é sua história que será contada no futuro, porém muito cuidado ao exibir publicamente pois a qualidade se associará com a marca da empresa, acrescento atualmente, com sua reputação também.

Mais discussão no fórum VideoBR:

DVD x Bluray – Quanto Cobrar?

http://www.videobr.pro.br/forum/viewtopic.php?f=9&t=10833

Quanto vale seu serviço?

http://www.linhadecodigo.com.br/Artigo.aspx?id=288

Sebrae – Saiba Mais – Preço de Venda Na Prestação de Serviço

http://www.scribd.com/doc/7265389/Sebrae-Saiba-Mais-Preco-de-Venda-Na-Prestacao-de-Servico

Noções de Custo (PDF)

http://www.contagecontabilidade.com.br/formularios_apostilas/custos_preco_vedas_p_equilibrio.pdf

Sebrae RS dá a dica (perguntas frequentes):

http://www.sebrae-rs.com.br/_default.asp?Secao=ABRIR&SubSecao=PerguntasFrequentes&palavrachave=&blnPesquisar=1&setor=28&PaginaAtual=2

    Em outras palavras, uma mesma produtora pode ter diferentes propostas e portanto orçamentos.

  Não há comparação de investimento em conhecimento e estrutura entre produtoras de perfis diferentes, consequentemente de resultado. É o mesmo que querer pagar a um cirurgião o custo de um atendente de farmácia e cobrar do atendente uma cirurgia.

     No final, um video, comercial, institucional, pode sair de poucas centenas de reais a algumas centenas de milhares de reais, depende se usará câmera de 1 CCD ou super câmeras 35mm 4K, ator(es) global(is) por exemplo, aéreas, submarinas, locações, cenários gigantes etc.

    Se você é um empresário, diretor, gerente que tem a missão de produzir um institucional, empresarial, instrucional, procure conhecer as produtoras ou o profissional, veja o portfolio, procure saber o curriculum do diretor e ou roteirista que produzirá seu material.

    Não há como comparar seu vídeo produzido por outros profissionais justamente porque você vai contratar uma só vez. Especificamente nesse caso o “barato vai sair caro” justamente porque a imagem de sua empresa está associada diretamente a qualidade do vídeo final. Tudo depende de seu padrão de exigência e condições financeiras.

IP Digitais

Italo Valerio

original graphics
 
Artigo de Erick Monstavicius – “QUANTO CUSTA UM VÍDEO INSTITUCIONAL?“:

					
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2 comentários sobre “Qual o custo de produção de vídeo?

  1.          No Blog "A culpa eh do cliente" encontrei uma discussão interessante, sobre o trabalho de um grupo de estudantes fazendo um remake de uma cena caríssima, o desembarque em Omaha Beach, do filme  dia D!, tudo isso em 4 dias e com mil dolares.
     
    Minha colocação:
     
    "_ Eita, gostei da provocação :)Alguém falou sobre os mil dólares serem relativos a gasolina e sanduiches. Acho que está certo.Tenho o exemplo de uma turma que fez "pior", várias cenas com alto realismo de Matrix, uma hilária paródia:http://video.google.com/videoplay?docid=415338238586513884_ Voltando, todo mundo começa a entrar no mercado, pagando pra entrar, ou seja, se custa 1000 pra fazer um "meia-boca", o cara chega a pedir 300,00, o cliente ou pouco exigente para com o objetivo ou sem grana mesmo topa. Depois ele, o novo camera, produtor ou o que seja vai descobrir que precisa de acessórios, de cursos, de manter equipamentos… e tb de comer todos os dias, daí ele ajusta o preço pra nova etapa profissional._ Moral da história, antigamente dizíamos que tinha produções amadoras, semi-profissionais e profissionais, acho que posso resumir assim agora: candidatos a amadores, amadores, amadores querendo ser semi, semi, semi querendo ser pro, profissional, pro querendo ser broadcast e broadcast._ Não vou continuar escrevendo, afinal o blog é do colega, mas resumo dizendo que a situação é bem mais complexa._ Ah!, sobre esse video, é fácil um grupo de solteirões, estudantes, fazerem parecer que presta numa tela de 320×240, quero ver em 1920×1080 pixels ou em 4k de cinema, e aí, vai com mil dolares?.

  2. Ítalo,Sou diretor e produtor de vídeos para empresas e achei muito bom seu artigo.Acrescentaria apenas alguns detalhes técnicos, como por exemplo, muitas vezes vale usar uma câmera BETA pela qualidade de suas lentes. Mas são apenas detalhes, o artigo está perfeito.Eu recentemente publiquei um artigo com este tema também no link http://cinematika.com.br/quanto-custa-um-video-institucional/Vou incluir esta página em meus favoritos, pretendo futuramente fazer um compilado de links sobre o assunto, algo parecido com o que você sugere ao final da leitura.Abraços,Erick MonstaviciusDIRETOR / PRODUTOR AUDIOVISUAL(11) 8288.0770Cinemátika – Vídeo para Empresashttp://www.cinematika.com.br

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